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Baterista Alfredo Dias lança CD com releituras de grandes clássicos da Jazz-Fusion

10 de novembro de 2015

Novo CD de Afredo Dias traz releituras de Red Baron (Billy Cobham),
Birdland (Weather Report), Spain (Chick Corea) e muito mais...



Rosana Freire 
(baterista)
Matérias no blog
contato.rosanafreire@gmail.com



As músicas escolhidas pelo baterista tem uma diversidade interessante e envolvente, incluindo músicas explosivas, como Birdfingers, em seu eterno sobe-e-desce de montanha russa melódica; a nostálgica A Remark You Made, cuja gravação foi dedicada à sua mãe, a escritora Janete Clair; algumas mais dançantes, com uma boa pegada de funk e soul, como Silly Putty, Some Skunk Funk e a sexy Red Baron; a alegre e otimista Birdland; até Milestones, com um clássico bebop, walking bass e solos de piano e saxofone.

http://www.alfredodiasgomes.com.br/

Neste passeio entre euforia, suingue e intimismo, a bateria de Alfredo Dias soa sempre nítida e precisa, marcando com muita clareza a evolução de cada música, por mais mutante que ela possa soar. Até mesmo quem não tem o hábito de ouvir jazz ou música instrumental não se sentirá perdido em um labirinto sonoro. Em músicas de grande variação harmônica e rítmica, como Spain, que originalmente mistura a sonoridade espanhola com temas que remetem à bossa nova, sua marcação proporciona uma sensação de lógica aos nossos ouvidos.

O baterista Alfredo Dias

É um grande baterista, conhecido e reconhecido. Explora as dinâmicas de caixa, como se pode ouvir logo na primeira faixa, Birdfingers, num belo solo. Conduz o ouvinte em cada transição, trazendo um novo sentido para cada interpretação, através de suas preparações e viradas. Seus destaques nos pratos dão ênfase ao fraseado melódico e também oferecem uma base intensa de preenchimento para os outros instrumentos. O álbum termina com uma bela interpretação de 500 Miles High, coroando sua obra com uma atmosfera noturna, calma, mais suave do que a versão original. Uma notável sonoridade de samba oferece base para um contrabaixo expressivo e os solos de saxofone e piano.

É sem dúvida um disco imperdível. Agradará aos que já conhecem cada faixa em sua versão original, por oferecer releituras muito atraentes, e também aos que querem ampliar seu repertório de jazz-fusion através de uma bela seleção de clássicos. Indicamos também, é claro, para bateristas, estudantes iniciantes ou profissionais avançados, pois apresenta muito bem os sucessos que foram, e ainda são, grandes referências que nortearam grandes músicos da atualidade.

Não podemos deixar de comentar também a simbólica arte da capa do CD, que ilustra uma bateria montada sobre trilhos de trem dentro de uma estação, preenchida por engrenagens. O baterista posicionado atrás dela, vestido com as cores da imensidão do universo, segura sua "cabeça-relógio" com as mãos, que contém em seu centro um grande olho observador. Essa criativa imagem nos faz meditar sobre o tempo de nossas vidas, que a arte transcende. O cenário que nos cerca é cinza, metálico e rude, mas o nosso poder de criação é infinito. A figura também nos remete à abstração que a música nos traz, ao mesmo tempo que, enquanto músicos, muitas vezes nos transforma em máquinas, trabalhadores braçais que treinam técnicas, rudimentos e outras práticas disciplinadoras. As engrenagens dentro da bateria podem representar o tempo, bem como a eterna metáfora da estação, como já cantava Milton Nascimento a respeito da transitoriedade da vida; mas também podem nos falar sobre a união entre o músico e seu instrumento, quando se tornam uma coisa só, um único ser. Um ser que observa e absorve suas referências atentamente, apesar do relógio, e que olha para trás enquanto cria algo novo. JM!
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Ramsey Lewis: uma das maiores lendas vivas do jazz é atração do Gourmet Jazz Festival

26 de outubro de 2015

Ramsey Lewis é atração do novo Gourmet Jazz Festival, que acontecerá em Novembro, em Águas de São Pedro-SP

Por Leonardo Alcântara

Aos 80 anos, trazendo na bagagem 3 prêmios Grammy e sete discos de ouro, o pianista americano Ramsey Lewis merece a consagração extraordinária de ser uma das maiores lendas vivas do jazz. Com uma sólida carreira, transitando entre as raízes da música americana e se arriscando até entre o R&B e a música POP, Lewis cravou o seu nome na história.

http://gourmetjazzfestival.com.br/

Nascido em Chicago, no dia 27 de Maio de 1935, Lewis foi trazido ao jazz por seu pai que dirigia um coral na igreja local e gostava de ouvir Duke Ellington e Art Tatum. Começou a estudar piano aos 4 anos e logo começou a acompanhar o pai no coro aos domingos. 

Aos 15 anos, montou a sua primeira banda de jazz, o Cleffs, que tocava jazz em bailes. 

Em 1956, junto com os ex-Cleffs, o baixista Eldee Young e o baterista Redd Holt, formou o Ramsey Lewis Trio. O trio se tornou respeitável no circuito de jazz de Chicago, o que lhe rendeu um contrato com a gravadora Chess Records, lançando seu primeiro álbum, Ramsey Lewis and His Gentle-Men of Swing.



Nos anos posteriores, continuou gravando com o seu trio, excursionando por todo os EUA e agregando ainda mais fãs de jazz. Destaque para os registros de Tribute to Clifford Brown (1958), em parceria com o vibrafonista Lem WinchesterRamsey Lewis Trio in Chicago (1960), em uma gravação memorável no clube Blue Note. 



Mas foi em mesmo em 1965 que o pianista alcançou o grande público e sua carreira deslanchou com a gravação do disco The In Crowd. onde a faixa-título do álbum rendeu a Lewis o seu primeiro disco de ouro, alcançando o 5° lugar das paradas pop e o Grammy de Melhor Performance de Jazz.Gavado entre os dias 13 e 15 de maio daquele mesmo ano, Lewis leva à loucura a plateia do Bohemian Caverns, em Washington, com o seu jazz mesclado com soul e pop, onde gritos, palmas e assobios são constantes de uma platéia empolgada e impressionada. tamanha a energia daquela gravação.



Em 1966, mais dois hits de sucesso, "Hang on Sloopy" e "Wade in the Water", que alcançaram mais 1 milhão de cópias, atraindo para Lewis, admiradores além da vertente do jazz.



Nas décadas seguintes, seguiu sendo um dos nomes mais ativos da cena jazzística e também do R&B. Seu senso criativo e sua mente aberta para outros caminhos, fez de Lewis um verdadeiro clássico da música negra americana. Seu sucesso e uma carreira sólida, não foram suficientes para acomodar Lewis. Nos últimos anos, além de apresentar um programa de rádio, apresentou com muito sucesso, o programa de televisão Legends of Jazz, onde passaram diversos artistas em performances ao vivo, como Al Jarreau, Dave Brubeck e os brasileiros Ivan Lins e Oscar Castro Neves



Gourmet Jazz Festival

Ramsey Lewis se apresentará pela primeira vez no Brasil, dia 21 de Novembro, em um show imperdível para o novo Gourmet Jazz Festival, que levará boa música e gastronomia para Águas de São Pedro, cidade à 180 Km de São Paulo. Para o show aqui no Brasil, Lewis trará o repertório do seu mais recente cd, Taking Another Look, que contará com a colaboração de músicos que participaram desta gravação, como o guitarrista Henry Johnson, o baixista Joshua Ramos, o baterista Charles Heath, além do tecladista Tim Gant. JM

SERVIÇO

Gourmet Jazz Festival 2015
Dias 20, 21 e 22 de novembro de 2015
Grande Hotel São Pedro
Centro de Eventos e Convenções Municipal
Águas de São Pedro - SP
Realização: Atitude Cultural
Patrocínio exclusivo: Cielo
Apoio: Senac

Mais informações: Marcus Colacino: 11 99881-5959

Assessoria de Imprensa: Ivan Chagas: ivanchagasp@gmail.com
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Apartamento que pertenceu a Charlie Parker está à venda por US$9.25M em NY

23 de outubro de 2015

A família reunida: Charlie Parker (centro), Chan Parker (esquerda) e Kim Parker (direita)

Por Leonardo Alcântara

Entrada do edifício na 151 Ave. B
Um apartamento que pertenceu ao saxofonista Charlie Parker (1920 - 1955), localizado na 151 Ave. B, no bairro de Alphabet City, em Nova York, está à venda por US$9.25M.

De acordo com a lista da corretora Elizabeth Stile, da Halstead Property, o edifício foi construído por volta de 1849. De arquitetura em estilo neogótico, conta com 4 apartamentos, um por andar, sendo o primeiro piso - onde Charlie Parker viveu - o único que dispõe de um arejado jardim paisagístico que inclui até um pequeno lago de carpas.

O apartamento mantém os seus detalhes originais, incluindo portas de madeira dupla, acabamento de cornija no teto, arco decorativo, lareiras feitas em mármore e pisos com madeira original.

Em uma entrevista de 2005, para o site The Charlie Parker Residence, após visitar o apartamento, Kim Parker, enteada de Charlie, lembrou que o pai, depois de excursionar uma semana inteira, fazia questão de reunir a família para os almoços de domingo e aparentemente gostava de manter sua vida profissional e musical separada de casa, onde o que tocava era a música clássica e não o jazz.

Quem estiver interessando em comprar o imóvel, pode entrar em contato direto com a imobiliária. No link, veja também as fotos do jardim e do interior do apartamento:
https://www.halstead.com/sale/ny/manhattan/east-village/151-avenue-b/townhouse/13259197

Veja a localização no Google Maps:


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Bonito Blues & Jazz Festival 2015 chega a terceira edição

22 de outubro de 2015

Evento terá tributo a Renato Fernandes, homenagem a Zé Pretim, bluseiros de MS e guitarrista norte-americano 




Por Matula Comunicação

Zé Pretim, um dos homenageados do
festival
A terceira edição do BONITO BLUES & JAZZ FESTIVAL 2015 acontece nos dias 31 de outubro (sábado) e 01 de novembro (domingo) em Bonito (MS). O evento terá uma programação especial este ano com bluseiros sul-mato-grossenses, tributo a Renato Fernandes, homenagem ao veterano Zé Pretim e a presença de uma atração internacional, o guitarrista norte-americano Breezy Rodio.

https://www.facebook.com/bonitobluesejazzfestival

O festival será realizado na Villa Rebuá, no centro da cidade. Os ingressos custam R$ 25 (turista) e R$ 15 (bonitense) e podem ser adquiridos na Loja Etc e Tal, em frente à Praça da Liberdade em Bonito. O evento começa com um tributo ao compositor Renato Fernandes, líder da banda Bêbados Habilidosos e fundador do blues sul-mato-grossense, falecido em 16 de fevereiro de 2015 aos 53 anos.

O produtor do festival, Afonso Rodrigues Jr., recorda que Renato tocou na primeira edição do evento em 2013 e que por pouco não estreou sua banda nova no festival. “Ano passado o Renato estava com uma banda nova, a Muddy Blues, chegamos a divulgar a estreia deles no festival, porém, por ordens médicas ele não pode vir e faleceu logo depois. Aí surgiu a ideia de render esse tributo porque a maioria dos participantes do festival em 2015 já tocou com ele em formações embrionárias do blues do MS. O Luís Ávila (guitarrista) está dando muita força nesse tributo, que terá um set list especial e convidados”, afirma Afonso. Entre os convidados já confirmados no tributo está o gaitista Clayton Sales e o baixista Marcelo Rezende.

O grupo Quebra Torto (ex Coice de Mula) é a outra atração de sábado (31). A banda tem na formação integrantes que são verdadeiras lendas do blues e rock de MS. O baterista Bosco, o baixista Marquinhos, o guitarrista Fábio Brum, o tecladista Alex e o vocalista Marcelão. Para encerrar a noite, está prevista uma jamm session.

No domingo (01), a programação começa com a homenagem a Zé Pretim. O guitarrista veterano da cena musical do estado passa por um período de reabilitação e irá especialmente ao festival para a apresentação ao lado da banda Blue Company, liderada pelo guitarrista Luís Ávilla. Dono de uma voz marcante e pelas versões blusy de clássicos caipiras, Zé Pretim foi integrante de bandas históricas do estado, como Zutrick e Euphoria.

A noite segue com o grupo Whisky de Segunda, formado por Jefferson Pasa, Átila Malhado, Robson Pereira e Fábio Menoncin. A banda está na ativa desde 2003 e surpreende sempre com ações inusitadas, focando em projetos sociais e tocando em locais como o presídio feminino Irmã Irma Zorzi, em Campo Grande. Em 2014 a banda viajou para os Estados Unidos para gravar seu primeiro CD. Ficaram 20 dias em solo americano bebendo da fonte do blues. O disco teve como técnico de som o mestre Brian Leach e contou com participações de grandes músicos do gênero. O detalhe é que quem produziu o disco foi Breezy Rodio. Por meio deste contato é que surgiu a oportunidade do guitarrista de Chicago se apresentar no festival em Bonito em 2015.

O guitarrista americano Breezy Rodio, atração internacional no segundo
dia do Bonito Blues & Jazz Festival
“Jefferson sempre me ajuda nos eventos em Bonito. No ano passado ele e Robson não participaram, mas estiveram os três dias do festival, deram canja e tudo o mais. Este ano, o Jefferson me disse que iria aos EUA e ficaria na casa do Breezy, que estava interessado em voltar ao Brasil. O Jefferson sugeriu que ele viesse tocar no festival em Bonito. O cara gostou da ideia e está chegando a hora”, explica Afonso.

O guitarrista Breezy Rodio é respeitado na cena bluseira de Chicago, com performances marcantes nos clubes da cidade, como os lendários House of Blues, Buddy Guy’s Legends e Rosa’s Lounge. Recentemente fez uma turnê pela Europa e por cidades da América do Sul, incluindo o Brasil. Já gravou com verdadeiros “dinossauros” do blues, como Bud Guy e Eddie Shaw. Breezy está divulgando seu disco “So Close To It”, lançado em 2014. O encontro entre o norte-americano e os músicos sul-mato-grossenses é um dos momentos mais esperados do festival e promete ser histórico!


FESTIVAL BLUES & JAZZ BONITO

31/10 (sábado)
Tributo a Renato Fernandes
Quebra Torto (Ex Coice de Mula)

01/11 (domingo) 
Homenagem a Zé Pretim
Whisky de Segunda
Breezy Rodio (EUA)

Local: Villa Rebuá (Rua Cel. Pilad Rebuá, 1930)
R$ 25 (turista) / R$ 15 (bonitense)
Pontos de venda: Loja Etc e Tal (em frente a Praça da Liberdade)
Informações: 67.9986.3373 (vivo) e 67.9257.2884 (claro)
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Tony Bennett confirma outro 'álbum de jazz' com Lady Gaga e fãs da cantora reclamam no Twitter



Por Leonardo Alcântara

Em entrevista para Dan Reilly, do site Vulture, o cantor Tony Bennett confirmou que irá gravar mais um 'álbum de jazz' com a cantora Lady Gaga. No ano passado, os dois gravaram juntos o álbum Cheek to Cheek, recheado com standards, como "Sophisticated Lady" (Duke Ellington) e "Lush Life" (Billy Strayhorn). O álbum atingiu o primeiro lugar da Billboard 200, vendendo mais de 130 mil cópias na primeira semana.

Segue o trecho da entrevista:

Dan Reilly: Você trouxe inúmeras musicas clássicas para novas gerações, sejam elas do "MTV Unplugged" ou suas colaborações com Lady Gaga. Conte-nos um pouco sobre isso.
Tony: Gaga é uma artista maravilhosa e, quando canta uma boa balada, tenho arrepios. Fazendo Cheek to Cheek, ela me ajudou tanto quanto eu a ajudei. Enquanto eu revelava seu belo canto ao meu público, ela fazia com que muitos jovens e adolescentes, seus fãs, também conhecessem meu trabalho. Todos sempre dizem: "Deus... Eu nunca soube que ela cantava tão maravilhosamente.", então acho que posso dizer que nós nos ajudamos. Nos damos bem um com o outro. Ela tem muito talento. Acredito que, um dia, ela será uma grande estrela do cinema, apesar de não me interessar muito nesse assunto. Eu trabalho ao vivo, para audiências, mas eu acredito que ela irá surpreender todos com grandes produções.

Dan Reilly: Vocês já tem planos para um novo álbum?
Tony: Sim, já estamos o produzindo. Será um álbum de covers do Cole Porter. ele foi o melhor compositor de todos os contidos na "Great American Songbook". Grandiosamente inteligente. Me divertirei muito com isso.


Quem não gostou muito da novidade foram os fãs da cantora, sobretudo aqueles que não gostam de jazz, que usaram o Twitter para protestar.

Veja a repercussão:



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Multiverso, o primeiro de muitos voos do guitarrista Emanuel Hilgenberg

21 de outubro de 2015

Emanuel Hilgenberg
Por Leonardo Alcântara
O cd Multiverso
Em uma época em que escutamos e lemos nas redes sociais que a música brasileira já não se renova e carece de novos valores criativos, um jovem nome surge para quebrar o senso comum. Trata-se do guitarrista Emanuel Hilgenberg, que está lançando o seu primeiro álbum, Multiverso, que trás 7 composições em arranjos feitos pelo o próprio.

Com ritmos bem variados e bem brasileiros misturados com o frescor do jazz, Emanuel sola e improvisa sua guitarra Epiphone 335 com a clareza e a destreza de quem chega para mostrar o seu valor e autoridade para inserir o seu nome no cenário da música instrumental brasileira. Sem medo de investir em horizontes distintos, o guitarrista agrada pela a dinâmica e concepção de se alternar andamentos, em harmonias simples, porém bem trabalhadas, fazendo de Multiverso uma agradável surpresa.

O disco foi gravado entre Janeiro e Maio deste ano, no Nave Studio em Juiz de Fora e no Estúdio Guidon em São Paulo e conta com a participação de grandes nomes da cena instrumental, como Fabiano de Castro no piano, Ricardo Itaborahy nos teclados, Vinicius Dorin nos sopros, Dudu Lima no contrabaixo e Gladston Vieira e Leandro Scio na bateria e Marcelo Hilgenberg, pai de Emanuel, que assina a composição das 7 músicas, além de também tocar violão.




Ao comentar a sessão de gravação do seu novo álbum, Emanuel ressalta que "fiz os arranjos em cima de composições do meu pai, Marcelo Hilgenberg, buscando interação entre os músicos, sempre com um espaço para a improvisação".

E faz questão de acrescentar: "Todos os músicos gravaram com a maior boa vontade, alguns são amigos do meu pai, e já haviam gravado com ele. O processo de gravação é algo muito interessante. Além do aprendizado de estar se ouvindo, ainda existe a influência direta dos outros músicos, que deram todos uma soma para o resultado final do disco".

Emanuel que começou no ouvindo rock, teve no seu pai a ponte a inspiração para adentar ao mundo do Jazz:

"Comecei a querer tocar após assistir à uma gravação do meu pai em um estúdio. Passei pelo rock instrumental até chegar no Jazz. Hoje temos um duo chamado "HILGENBERG JAZZ" em que tocamos Standarts e músicas próprias. Já fizemos muitas apresentações, o que está sendo ótimo para o meu desenvolvimento estar tocando sempre para um público diferente".



Seja no Rock ou no Jazz. Emanuel Hilgenberg é uma grata surpresa pela maneira que lida com a música e sua autoridade sobre por ela. É uma prova viva de que senso comum é uma mera preguiça de lidar com o novo e o novo está aí para quem tiver disposição. Aguardo ansioso por novos voos e novos solos.

Como diz um velho compositor brasileiro: "Evoé, jovens à vista!".

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Ouça 5 álbuns de Jazz que não figuram em listas, mas bem que mereciam

20 de outubro de 2015


Por Leonardo Alcântara

Listas são sempre listas, né? Entre os poucos consensos, há um debate caloroso sobre elas, sobretudo com as suas supostas 'injustiças'. "100 melhores discos de Rock", "100 melhores discos da MPB" ou "Meus discos favoritos" são frequentes nos sites da imprensa especializada e com o jazz não é diferente. Entre no google e digite "Top Jazz Albums", "Greatest Jazz Albums" e "Essential Jazz Albums", por exemplo, e terás uma infinidade de listas e seus comentários calorosos sobre algum disco que não entrou.

Diagonal, clássico de Johnny Alf, de 1964
Eu mesmo já fui um cara que metia a lenha nos comentários. Até hoje eu reclamo de como "Missa Breve" (Edu Lobo), "Slave Mass" (Hermeto Pascoal) e "Diagonal" (Johnny Alf), não entram na maioria das listas conhecidas, como a da Rolling Stone e a da antiga revista MTV. Como que a mesma Rolling Stone me cria uma lista com as "100 Maiores Vozes da Música Brasileira" e não cita Alaíde Costa em nenhuma linha?

Tem sugestões para a lista? Comente!

Certamente, alguns critérios dos colaboradores dessas listas são questionáveis, mas vale lembrar, que diante de uma discografia tão extensa e tão rica como é na MPB e no Jazz e uma legião de artistas notáveis e lendários, sem dúvida alguma que 'injustiças' acontecerão. Se 100 discos encabeçam uma lista de melhores discos de Jazz, certamente que outros 100, 200 ou 300 discos mereciam entrar, mas o que fazer se só cabem 100?

Kind of Blue, de Miles Davis: o disco
de jazz mais vendido de todos os tempos
Entre as listas de Jazz, há um consenso óbvio: sempre estarão os clássicos "Kind of Blue" (Miles Davis), "A Love Supreme" (John Coltrane), "Time Out" (Dave Brubeck) e "Saxophone Colossus" (Sonny Rollins). Por quê? Pois além do êxito comercial, esses clássicos foram, de alguma maneira, vitais na evolução do Jazz e na aproximação de novos adeptos para o gênero. O clássico de Miles Davis, por exemplo, além de ter instaurado a revolução do Jazz Modal e contar com aquele que é considerado o maior quinteto da história (Cannonball Adderley, Paul Chambers, Jimmy Cobb, John Coltrane, Bill Evans e Wynton Kelly - em apenas uma faixa -), Kind of Blue é o disco de jazz mais vendido de todos os tempos, fazendo o que poucos artistas conseguiram: levar o jazz conceitual para as massas. Tais feitos, legitimam o Kind of Blue como o cabeça das listas de jazz.

Mas um disco precisa ser revolucionário ou vender muito para entrar em uma lista? Claro que não! Mas são critérios relevantes na hora de se elaborar uma. Entre 300 discos para uma lista de 100, inúmeros serão os critérios de desempate para se chegar ao resultado final. Justo, não?

Vale lembrar que para um disco ser bom, ele não precisa de listas famosas. Ele só precisa de uma coisa: comover quem ouve. Entre os álbuns da minha coleção, muitos não estão sequer em listas de 200 discos, mas fazem parte da lista mais importante da minha vida: a minha lista!

Separei 5 álbuns de jazz que não figuram nas listas com os termos buscados no google, mas bem que mereciam e eu vou explicar o porquê:

1 - Una Mas - Kenny Dorham (1963)

Sempre que se fala em grandes jazzístas, Kenny Dorham é praticamente esquecido. Jackie McLean chegou a dizer: "Eu gostaria de fazer um livro com alguns músicos que sinto que foram deixados para trás... como Kenny Dorham. Muita gente conhece Kenny, mas durante toda sua vida, ele nunca recebeu as honras nem as rosas que deveria ter recebido por tudo o que ele nos deu". Eu adoro o trompete e de todos os trompetistas que eu já ouvi, sem dúvida que Dorham é um dos que mais me influenciaram a gostar de jazz. Eu amo o seu fraseado, seu compasso intenso e seu ritmo. A injustiça sobre a sua história é a que mais me incomoda. Expoente do Bebop, Dorham simplesmente participou da primeira gravação dos Jazz Messengers com o baterista Art Blakey e o pianista Horace Silver. Depois, fundou o Jazz Prophets que, assim como o Jazz Messengers, serviu de ponte para o lançamento de novos talentos, como Joe Henderson, Kenny Burrell, Herbie Hancock e Tony Williams (os dois últimos tocaram com Dorham antes de tocarem com Miles Davis). Depois transitou no Afro Cuban Jazz, até chegar ao Brasil em uma turnê no início da década de 1960 e se encantar com a Bossa Nova. Assim nasceu, em 1963, a obra-prima Una Mas. Lançado pela Blue Note, a edição original traz 3 temas recheados de balanço e exprime um Dorham na sua melhor forma. Solos intensos, a batida sincopada, o piano cheio de swing latino de Herbie Hancock, fazem de Una Mas uma das maiores obras de jazz que eu já ouvi. Fora a faixa "São Paulo", uma homenagem de Dorham à cidade que nunca para. Tanto não para, que nem o fã de jazz mas assíduo de SP sabe disso. Infelizmente, Una Mas é o penúltimo álbum da carreira de Dorham, que chegara a gravar Trompeta Toccata, em 1964, e depois entrar em absoluto ostracismo. Dorham morreu em 1972, aos 48 anos.



2 - Night Dreamer - Wayne Shorter (1964)



Iniciando no selo Blue Note, Wayne Shorter gravou, em 1964, o álbum Night Dreamer. Introspectivo, sofisticado e, diria até, excitante, o álbum é considerado um divisor de águas, uma vez que a partir desta gravação, o saxofonista passou a se apropriar de uma linguagem mais lírica e simples, solando com mais confiança e dando espaço para um fraseado límpido em lindos jazz ballads. Lee Morgan (Trompete), Reginald Workman (Baixo), Elvin Jones (Bateria) e McCoy Tyner (Piano) formam o quarteto estrelar que acompanha Shorter nesta gravação. A atmosfera por vezes impressionista e por vezes cinza e reflexiva, revela um ambiente modal e uma unidade rítmica sutil, como poucos álbuns conseguiram transmitir. É um disco praticamente perfeito. Se os quadros de Monet ou Degas tocassem música, certamente eles tocariam Night Dreamer.


3 - Black Woman - Sonny Sharrock (1969)


Mais do que um magnífico álbum de Jazz, o emblemático Black Woman, de 1969 é um manifesto do guitarrista Sonny Sharrock. Produzido por Herbie Mann para a Atlantic Records, o disco é uma mistura de rock, jazz, avant-garde, gospel e soul, tudo junto, em uma linguagem free, com Sharrock dilacerando a sua guitarra atonal e contrastando com o canto de lamento e gemidos ofegantes de sua esposa Linda Sharrock. Trata-se de um verdadeiro registro sonoro sobre a voz da mulher negra em uma América racista e segregada. O disco por inteiro é imprevisível, excêntrico e explosivo, que pode soar desafiador para aqueles que não estão acostumados com o free-jazz, mas quando compreendemos a proposta e nos deparamos com as lágrimas e a dor da voz de Linda, que aqui é tão ressonante quanto um sax tenor, você fica profundamente sem reação.


4 - Speak Like a Child - Herbie Hancock (1968)

Ouça Speak Like a Child:


Ao gravar o aclamado Maiden Voyage, de 1965, Herbie Hancock mostrou que era um dos jazzístas que mais bem soube assimilar as lições modais de Miles Davis. Em Speak Like a Child, gravado em março de 1968, Herbie deu continuidade à atmosfera conceitual de Maiden Voyage, tendo como tema o amor representando na ingenuidade de uma criança. Não que o álbum soe infantil, muito pelo contrário, mas revela os valores o desejo de pureza e espontaneidade, na esperança, segundo as próprias palavras de Herbie nas notas do álbum: "de pensar e sentir as possibilidades de fazer o nosso futuro menos impuro". É um disco descontraído, lírico e melodicamente incisivo. A música Speak Like a Child foi inspirada na foto de capa, tirada pelo fotógrafo David Bythewood, revelando o beijo inocente e sutil de Herbie e sua esposa Gigi Meixner, que em setembro daquele mesmo ano se casaram e passaram a lua de mel no Rio de Janeiro.

5 - Pres and Teddy - Lester Young e Teddy Wilson (1959)


Mesmo com a saúde já fragilizada por conta do seu alcoolismo, o saxofonista Lester Young deixou o melhor de sua carreira para o final. Gravado em 1956 e lançado em 1959 - ano da morte do saxofonista -, Pres and Teddy apresenta o encontro de dois monstros sagrados do jazz. A sutileza do sax tenor de Lester, tão sutil que por vezes parece um sax alto, se mescla com o piano cheio de balanço de Teddy Wilson. Diferente de suas gravações nos anos de 1930 e 1940, onde apresentava um timbre mais descontraído e inclinado para o swing, Pres and Teddy revela um Young com alta carga emocional, solando mais belo do que nunca sobre o passeio alternado do piano de Teddy, ora ligeiro e ora sublime. As marcas de um ex combatente de guerra, que viveu as as alegrias e as ilusões da carreira artística estão todas naquele sax torto, que soa como uma pétala no ar, mas que é um verdadeiro turbilhão aos corações. Eu duvido que você consiga ouvir 'Our Love Is Here to Stay' sem ficar comovido. Eu não consigo. JM 


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