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13 de agosto de 2008

Bolachões apaixonados



Por Leonardo Alcântara (JazzMan!)

Ontem, enquanto arrumava os meus "bolachões", me deparei com uma notícia do site G1, escrita por Lígia Nogueira, que comentava sobre o espaço que o Vinil está conquistando na era do MP3. Coincidentemente, durante a noite, minha namorada me presenteou com o LP "Hot House Flowers", uma obra-prima de Wynton Marsalis, que ela comprou com um vendedor especializado em vinis de Jazz, aqui no centro do Rio.

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A minha relação com os vinis começou ainda bem na infância, dentro da minha casa, onde meu pai sempre presenteava a família com obras de Clara Nunes, Jovelina Pérola Negra, Fundo de Quintal e até mesmo Mercedes Sosa. Minha mãe era outra apaixonada por música. Era fácil vê-la com um LP do Caetano ou do Chico na mão, além de adorar os que meu pai comprava. Vivenciar os gostos dos meus pais e navegar em vertentes diferentes, que iam de Jackson do Pandeiro aos Titãs, ou de Clementina de Jesus a Caetano Veloso, ajudou a definir o meu gosto e senso crítico, o que devo em grande parte aos discos de vinil, os quais herdei e preservo com muita dedicação e amor. (Foto: Esperança (1979) - Clara Nunes)

De lá para cá, muita coisa mudou: ganhamos formatos compactos e maneiras diferentes de ouvir, comprar e compartilhar música. Apesar de toda facilidade dos dias atuais, onde você pode baixar uma música na Internet em poucos minutos, parece que a essência de ter um vinil ainda permanece em alguns apreciadores de música. Eu costumo dizer que o ato de limpar, posicionar o disco e direcionar a agulha é algo que envolve muita sensibilidade, além de ser totalmente sensual. Pode ser coisa de colecionador maluco, mas eu acho isso mesmo.

Quem teve a oportunidade de ver o filme "Durval Discos", em que a personagem principal era um vendedor de discos de vinil, se divertiu com as frases nostálgicas e momentos hilários quando o assunto era a comparação do vinil com o cd. "No vinil você pode escolher a faixa no ponto". "O cd é só esse tamanhinho aqui. Mas o vinil é grandão". "Tem o lado A e o lado B, que é muito melhor". Essas eram algumas das frases de Durval, que no filme é uma espécie de resistência ao formato digital. (Foto: Durval, personagem do filme "Durval Discos")

Na vida real, as comparações são inevitáveis. A primeira que muitos fazem do vinil em relação ao CD e o MP3 é sobre o trabalho gráfico. O tamanho do encarte do CD limita um pouco a criatividade dos designers, que na época do vinil produziram capas memoráveis, como as dos álbuns "Milagres do Peixe", de Milton Nascimento e "Clementina e Convidados", de Clementina de Jesus, onde na capa havia uma pegada em auto-relevo. Outra comparação é a qualidade do som. Muitos alegam que o som do CD é muito "digital", o que distancia o ouvinte da sensação de estar diante de uma gravação de estúdio, apesar dos pequenos ruídos, que podem se intensificar caso haja poeira no disco ou agulha gasta. Um artigo da Wikipédia expõe os argumentos dos defensores dos dois formatos. Para os entusiastas do vinil o argumento "é o de que as gravações em meio digital cortam as freqüências sonoras mais altas e baixas, eliminando harmônicos, ecos e batidas graves e 'naturalidade' e espacialidade do som". Os defensores do formato digital questionam: "argumentam que a eliminação do ruído (o grande problema do vinil) foi um grande avanço na fidelidade das gravações".

Comparações à parte, acredito que a música deve ser preservada, independente do formato. Seja em vinil, CD, ou MP3, música é sentimento. Daqui a alguns anos, quando o CD sair do mercado, haverá uns "Durvais" defendendo com unhas e dentes o formato implantado na década de 90 e a discussão não terá fim.

Vinil, CD ou MP3? Eu prefiro a música!


A intenção desse texto foi de convocar todos os colecionadores de discos de vinil que visitam o Blog JazzMan! para participar de uma matéria que quero produzir sobre o assunto. Será bacana que vocês exponham suas raridades, curiosidades e façamos discussões sobre as nossas obras mais significativas. Caso você queira participar, entre em contato por e-mail: leoselm@gmail.com

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6 comentários/comente ...:

Anônimo disse...

Prezado Leonardo Alcântara

Escrevi recentemente (mas não obtive resposta) a pedido seu (e do blog) sobre links quebrados. O meu pedido de recuperação se trata de um disco de 1969 do Reuben Wilson, presente em sua coleção de jazz (está lá relacionado). Revirando os seus bolachões (como bem diz esse texto que vc postou) será que dá para vc postar de novo esse disco do nosso querido Reuben? No demais, paarbéns pelo blog.

Grande abraço, do calafa.

JazzMan! disse...

Prezado Calafa,

Os seus pedidos de repostagem estão guardados, já que há muitos links para serem repostados. Quanto ao seu pedido, ele segue na fila de espera. Se você quer muito ouvir este cd, recomendo que baixe no e-mule ou soulseek. Abraços!

Anônimo disse...

Prezado Leonardo

Vou esperar que o disco reapareça por aqui, pois adoro esse blog.Se a fila está grande, paciência, não é mesmo? rrss

Muito obrigado e grande abraço, do Calafa.

Wagner disse...

Não acredito que no futuro haverá algum saudoso do CD. A culpa não é da tecnologia em si, mas a pressão de mercado por produções mais baratas (=mais rápidas) trouxe resultados tristes, além de re-edições muito pobres de gravações da época do vinil.

Igor. disse...

Léo, vou dizer que esse blog, junto com o farofa moderna, iniciou minha curiosidade pelo jazz (faz um tempinho já), e que hoje tormnou-se mais, muito mais que isso. Tenho um blog também; com alguns contos, crônicas e aporrinhações; e o adicionei aos links úteis e parcerias. Abraço e continue com esse grande trabalho de levar a música aos outros. Até mais ver.
~~
http://seguramoringa.blogspot.com/

Duda disse...

gostei muito do post.
não tem jeito, o vinil tem uma coisa de mais delicado que o cd, e não é viagem de purista.
eu tive o prazer de nesse ano vir parar um toca-disco aqui em casa... é como falaram, quando você pega aquele bolachão, deita ele no aparelho e coloca a agulha com cuidado.. é um momento mágico.

 
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