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5 de maio de 2009

Bridgestone Music Festival:
Jimmy Cobb & The So What Band

Saiba mais sobre a história do baterista Jimmy Cobb, a principal atração do Bridgestone Music Festival.
Jimmy Cobb em 1959. Foto: Divulgação

Por Leonardo Alcântara (JazzMan!)

Jimmy Cobb

Quem conhece bem a obra de Miles Davis do final da década de 1950 até começo da de 1960, sabe que se trata de um momento único na carreira do trompetista. Discos memoráveis como At Newport 1958, Porgy and Bess - com Gil Evans -, Kind of Blue e Sketches of Spain - também com Gil Evans - foram gravados neste período e são lembrados até hoje como parte da discografia básica de Miles e do jazz como um todo. O que essas gravações tem em comum? Talvez muitas coisas, mas uma das semelhanças mais perceptíveis é a batida exuberante e energética da bateria de Jimmy Cobb, que tocou com Miles de 1958 a 1963.

O lendário baterista nasceu no dia 20 de Janeiro de 1929, em Washington DC. Autodidata, Cobb adquiriu grande experiência e notoriedade trabalhando em sua cidade natal com artistas como Charlie Rouse, Leo Parker e Billie Holiday. Em 1951, ele ingressou na banda do genial saxofonista Earl Bostic e mais tarde, no mesmo ano, casou e se tornou diretor musical de Dinah Washington. Estes trabalhos fizeram com que Cobb se tornasse um baterista admirado pelos músicos e muito requisitado. Na metade dos anos 50, já em Nova York, Cobb trabalhou com as principais estrelas de jazz da época, como Dizzy Gillespie, John Coltrane e Stan Getz.

Miles Davis e Kind Of Blue

Em 1958, deu-se início ao momento mais importante da carreira do baterista, que ingressou na banda regular de Miles Davis e ficou até 1963. Sem dúvida, a gravação mais marcante para Cobb neste período foi o inovador Kind Of Blue, de 1959. O álbum é considerado por muitos uns dos mais importante da história do jazz por diversas razões. Uma delas é que a música de Kind of Blue soa muito original, e isso se deve ao fato das faixas terem sido improvisadas no momento de suas respectivas gravações. Outro fato que comprova a originalidade de Kind of Blue e seus adjetivos de "importante" e "inovador" é que o álbum inaugurou um novo estilo, chamado de jazz-modal, onde as improvisações são baseadas em escalas e não em acordes, como se fazia antes. Isso dava mais liberdade, mas dava também uma responsabilidade muito maior aos músicos. Para tanto, Miles precisou escalar um sexteto com alguns dos músicos mais importantes e competentes da época. Além do baterista Jimmy Cobb, o sexteto, que podemos chamar de um verdadeiro "Dream Team", era formado pelos saxofonistas John Coltrane e Cannonball Adderley, o baixista Paul Chambers e os pianistas Bill Evans e Wynton Kelly, que era músico regular de Miles e tocou apenas na faixa Freddie Freeloader. Miles teve em Jimmy Cobb o baterista ideal para Kind of Blue, que na gravação se apresenta com um dinamismo peculiar e com plena versatilidade para acompanhar as diversas variações melódicas e por vezes complexas do álbum.

Pós Miles

Depois de cinco anos acompanhando Miles Davis, Jimmy Cobb tocou durante grande parte dos anos 60 com Wynton Kelly e, após a morte dele, iniciou um longo período como baterista regular de Sarah Vaughan.

Gravou bons álbuns solos, onde se destacam Only For The Pure At Heart (1998) e o aclamado Marsalis Music Honors Jimmy Cobb (2006) produzido pelo grande saxofonista Branford Marsalis, onde Cobb recebe a colaboração da lenda do piano Ellis Marsalis.

Jimmy Cobb & The So What Band: Miles Davis’ Kind of Blue @ 50

Hoje, Jimmy Cobb percorre o mundo com a sua banda The So What Band, formada por alguns dos músicos mais importantes em atividade, como o trompetista Wallace Roney, o pianista Larry Willis, o baixista Buster Williams e os saxofonistas Javon Jackson e Vincent Herring.

Na atual turnê, Cobb comemora os 50 anos do lançamento de Kind of Blue - de cuja gravação ele é o único músico ainda vivo - e reverencia a vida e a obra de Miles Davis. “As pessoas amam Kind of Blue porque ele é um grande álbum. Essa música segue fazendo sucesso até hoje por ser verdadeira”, reflete o veterano baterista.

Bridgestone Music Festival (De 14/05 a 16/05)

Jimmy Cobb é a principal atração do festival, que este ano contará também com a participação da revelação do piano Robert Glasper, as cantoras Bettye LaVette e René Marie, o trompetista Jeremy Pelt e a dupla Tokunbo Akinro & Morten Klein.

Mais Informações: http://www.bridgestonemusic.com.br/

JM


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2 comentários/comente ...:

Arqtª Jane disse...

Ola, bom dia,
não sei se é este o site que escolhe os melhores comentários sobre a obra "Kind of Blue" para distribuir entradas para a apresentação de Jimmy Cobb. O meu comentário esta abaixo mas, por favor, se não for este o site me informe onde está sendo feito essa promoção.
O que torna Kind of Blue uma obra excepcional é a imensa integração de todos os músicos que, entre improvisação e melodia harmônica, atingem juntos o ponto sensível de união entre terra e céu. E isso é o que faz a modernidade dessa obra ou o que a torna sempre atual.

JazzMan! disse...

Jane, qual o seu e-mail?

 
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