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25 de agosto de 2011

Com Marginal ao fundo, Chucho Valdés abre Telefônica Sonidos 2011

O pianista cubano Chucho Valdés foi a atração da primeira noite do Festival Telefônica Sonidos, realizada nesta quarta-feira (24), no Jockey Club, em São Paulo

Foto: Léo Pinheiro/Terra

Por David Shalom - Portal Terra

Logo na entrada, chamava a atenção a forma como foi montado o palco, suspenso sobre parte das arquibancadas da pista de provas do Jockey Club, em São Paulo. E foi nele, com uma Marginal Pinheiros estranhamente bela como pano de fundo na agradável noite desta quarta-feira (25), que o pianista cubano Chucho Valdés, acompanhado pela excelente banda Afro-Cuban Messengers, abriu o segundo Festival Telefônica Sonidos, evento que reúne grandes nomes da música latina se apresentando ao lado de artistas brasileiros.

Assim como na edição anterior, a forma como ficou disposto o Palco Jazz Latino proporcionou uma aconchegante proximidade do público, formado principalmente por casais com idades entre 30 e 50 anos, com o músico oito vezes premiado com prêmios Grammy por seu trabalho. Com uma incrível facilidade em tocar os temas mais complexos, Chucho foi focado pelos holofotes às 21h50 - cerca de 20 mins após o horário previsto - com um largo sorriso no rosto, característica mantida por ele ao longo das duas horas de improvisos harmoniosos misturando jazz com música latina e africana - mais especificamente do gênero praticado pela etnia yoruba, de origem nigeriana.

Acompanhado por Lazaro Rivero Alarcón no baixo, Juan Carlos De Castro Blanco na bateria, Reynaldo Melián Álvarez no trompete, Carlos Miyares Hernández no saxofone e pelos percusionistas Yaroldy Abreu Robles e Dreiser Durruthy Bombale - este último também intérprete de melodias típicas dos yorubas, cantadas na língua homônima -, Chucho, vestindo uma jaqueta de couro bege e a sua característica boina cinza virada para trás, iniciou o show com a animada Conga Danza, seguida por Yansá, sexta faixa de seu trabalho de estúdio mais recente, Chucho´s Steps, lançado em 2010, que lhe rendeu o Grammy Latino de Melhor Disco de Jazz neste ano.

"Boa noite. Estou muito feliz por estar de volta a São Paulo", agradeceu o pianista com espanhol de forte sotaque cubano antes de anunciar Zawinul´s Mambo, homenagem ao seu grande amigo Joe Zawinul, renomado músico austríaco de jazz morto em 2007.

Enquanto boa parte do público de cerca de 800 pessoas - segundo a organização do evento - permanecia sentado nas confortáveis arquibancadas acolchoadas, muitas vezes encolhido nos cobertores distribuídos na entrada do local, um casal de jovens embalava no ritmo latino das canções e na animação dos próprios músicos no palco, sempre bastante sorridentes, arriscando passos de dança improvisados no corredor que separava os espectadores dos jazzistas.

De fato, o sexteto que acompanhou Chucho acrescentou uma musicalidade e empolgação a parte à apresentação. Em nenhum momento, o pianista fez parecer que o show era só seu, dando a todos os músicos tempo de sobra para executar seus solos, sempre bastante técnicos e inspirados. Os percusionistas - um deles, Dreiser, responsável por tocar o tambor africano batá, comum em Cuba - eram de uma alegria só, sempre muito rápidos e intensos com as mãos. O baterista, com semblante de humor semelhante, preciso e técnico. O baixista, com versões do instrumento acústica e elétrica, sempre atento às complicadas levadas e frases das canções, mesmo caso dos responsáveis pelos metais do conjunto.

Para a quarta música do repertório, Chucho chamou ao palco sua irmã Mayra, que, usando longo vestido de tecido fino branco e preto e uma grossa tiara de corações prateados na cabeça, interpretou Alma Mia, composta por Maria Grever, e originalmente gravada pelo pianista com a banda Irakere, fundada por ele e pelo trompetista Arturo Sandoval em 1973.

O ponto alto da noite começou quando Chucho anunciou seu segundo convidado da noite, aquele que daria sentido à toda a lógica do Telefônica Sonidos: o bandolinista brasileiro Hamilton de Holanda, que fez o público se levantar pela primeira vez de seus assentos durante a apresentação para aplaudir os músicos em pé após a execução de Guajira, precedida por um solo de invejável técnica do carioca radicado em Brasília.

A satisfação de dividirem o palco era notória por parte de todos os músicos, especialmente de Hamilton, que, com a pose clássica de um jazzista - cujos solos são acompanhados por movimentos frenéticos do corpo para frente e para trás, conforme a evolução rítmica da canção -, passou praticamente todo o tempo sorridente, trocando olhares de satisfação com Chucho.

O bandolinista ainda tocou Neurosis, grande clássico do cubano, Besame Mucho, eterno sucesso da compositora mexicana Consuelo Velásquez, e, antes de deixar o palco - para o qual retornaria para o bis -, Tico-Tico no Fubá, "um pedido de Chucho", segundo afirmou antes de executar a canção, talvez a mais ovacionada da noite pelos presentes.

Changó encerrou a primeira parte do show, que ainda teve, no bis duplo - por duas vezes a banda se abraçou em pé, despedindo-se do público, para depois voltar a tocar -, San Jose e Rumba para Julian, esta última com as participações de Hamilton e Mayra. Novamente, os músicos se abraçaram, os presentes, mais uma vez em pé, voltaram a aplaudir com força, e Chucho, esboçando o mais largo sorriso que exibiu durante toda a apresentação, juntou as mãos num gesto de agradecimento, curvou as costas três vezes com seus colegas, e, aparentemente satisfeito, deixou o palco do festival, que recebe nesta quinta-feira (25) Omar Sosa, com o violoncelista Jaques Morelenbaum como convidado nacional.

Set-list
Conga Danza
Yansá
Zawinul's Mambo
Alma Mia
Guajira
Neurosis
Besame Mucho
Tico-tico no Fubá Changó
San Jose
Rumba para Julian




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