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11 de agosto de 2011

Josee Koning canta as canções de 'Calabar' em São Paulo


Por Mariângela Guimarães (RNW)

Nos anos 70, um episódio da ocupação holandesa no Brasil serviu de inspiração para que Chico Buarque e Ruy Guerra escrevessem a peça ‘Calabar: o elogio da traição’. O espetáculo foi censurado, mas suas canções ganharam popularidade na voz de diversos cantores e estão até hoje no repertório de muitos intérpretes. Entre eles a holandesa Josee Koning, que se interessou ainda mais por músicas como ‘Bárbara’ e ‘Tatuagem’ ao saber sobre a história da peça e do link com a Holanda. Dias 26 e 27 de agosto, ela se apresenta com a Orquestra Jazz Sinfônica no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, cantando as canções de ‘Calabar’.

Este projeto teve início num encontro com o maestro João Maurício Galindo, que a convidou para um trabalho com a Jazz Sinfônica. “Ele estava visitando a Holanda no ano passado, quis me convidar e perguntou o que eu gostaria de cantar, então eu disse por que não fazemos ‘Calabar’? E ele gostou da ideia”, conta Josee. “É interessante porque é uma parte da história holandesa que aqui quase ninguém conhece. No Brasil é mais conhecido do que aqui.”

Entre as músicas mais famosas da peça de Chico Buarque e Ruy Guerra estão ‘Tatuagem’, ‘Bárbara’, ‘Não Existe Pecado ao Sul do Equador’ e ‘Ana de Amsterdã’. Embora o enfoque seja nas canções de ‘Calabar’, para ter um show completo, Josee Koning também interpretará outras músicas de peças teatrais de Chico Buarque, como ‘O que será’ e ‘O meu amor’, do espetáculo ‘Gota d’Água’. A regência é do maestro Fábio Prado.

Koning já se apresentou várias vezes no Brasil, mas estes shows têm um sabor especial por serem com a Jazz Sinfônica: “Eu nunca cantei com uma orquestra tão grande. São 80 músicos, é muito grande. Eu estou muito feliz de poder fazer isso, e no Auditório Ibirapuera.”

Paixão pela MPB

Sua relação com a MPB teve início também nos anos 70. “Eu trabalhava com a KLM como aeromoça nos anos 70 e era baseada no Rio. E eu já cantava aqui na Holanda - cantava jazz, tinha uma banda com meu irmão, que é pianista -, mas lá no Rio eu conheci muitos músicos e me apaixonei pela música brasileira.”

De volta à Holanda, Josee deixou a KLM e foi estudar canto no Conservatório de Amsterdã, formando com o pianista Peter Schön o grupo Batida, o primeiro na Holanda a fazer música brasileira e com o qual teve muito sucesso nos anos 80, com três discos gravados e apresentações em vários festivais.

Mas foi quando o Conservatório de Hilversum a convidou para dar aulas de música brasileira que a cantora sentiu que ainda tinha que ir mais fundo na MPB e para isso precisaria passar uma temporada no Brasil. E partiu para o Rio de Janeiro, em 89 e 90, com uma bolsa do governo holandês. Voltando à Holanda, passou a lecionar no Conservatório de Roterdã, onde ainda dá aulas de música brasileira.

Encontro com Tom Jobim

Hoje, Josee Koning trabalha frequentemente com grandes músicos brasileiros, mas o encontro que marcaria sua carreira aconteceu graças a um convite da televisão holandesa. “Eu tenho muita sorte, me sinto muito privilegiada. Eu recebi um convite da televisão holandesa pra ser entrevistada lá no Rio e quando chegamos lá a repórter falou, por que não vamos entrevistar um músico bem conhecido, qual você prefere? E eu falei: Jobim. E aconteceu. Num dia entramos na casa do Jobim e eu quase chorei. Foi uma coisa muito importante na minha carreira, ele olhando pra mim, querendo trabalhar, tocando ao piano e me convidando pra sentar do lado dele e cantar, e eu não podia cantar porque a garganta estava fechada, eu chorei de tanta emoção.”
Um ano depois, ela fechava um contrato com a Sony Music para gravar um disco só com canções de Tom Jobim, com a participação do compositor. “O projeto estava pronto, mas infelizmente ele faleceu. Então fui procurar o Dori Caymmi e ele falou que queria fazer o projeto como um tributo ao Tom. E este começo deu um impulso à minha carreira.”

Hoje, a música brasileira é bastante popular na Holanda, e em grande parte, graças a Josee Koning. “A situação mudou muito. Como eu falei, eu fui a primeira aqui na Holanda a cantar música brasileira, e agora as minhas alunas estão fazendo sucesso com música brasileira, o que me dá muito orgulho.”

*As apresentações de Josee Koning e Orquestra Jazz Sinfônica acontecem dias 26 e 27 de agosto no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Ingressos: R$30 e R$15.

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