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13 de janeiro de 2012

Paul McCartney versão jazz & blues

O cantor em uma das sessões de gravação do
novo disco, que só sai em fevereiro, mas já está
na internet: músicas que foram importantes para
sua formação musical e duas composições
inéditas, com Eric Clapton e Stevie Wonder
O novo disco do ex-Beatle, produzido por Tommy LiPuma e Diana Krall, agradará só aos fãs mais xiitas

Por Filipe Palácio (Diário do Nordeste)

Sir Paul McCartney abre seu décimo quinto álbum solo de estúdio com "I´m Gonna Sit Right Down and Write Myself a Letter", sucesso de 1935, na voz do cantor e pianista Fats Waller. É de um dos versos da faixa que o ex-Beatle tirou o polêmico título do disco: "Kisses on the Bottom" - "Beijos no Traseiro", numa das traduções possíveis -, que já está na internet desde terça-feira, bem antes da data prevista para o seu lançamento mundial, 7 de fevereiro.

A música abre com "I´m gonna sit right down and write myself a letter, and make believe it came from you. I´m gonna write words oh so sweet. They´re gonna knock me off of my feet. A lot of kisses on the bottom; I´ll be glad I got ´em". Neste contexto, o "bottom" seria o rodapé de uma carta de amor, com muitos beijos ao final.

O clima do disco, aliás, é todo esse. Paul soa jazzy como nunca - digno de figurar entre as atrações do Festival Jazz & Blues, de Guaramiranga - e, talvez, não fosse isso que o público estivesse esperando. Difícil até imaginar mais do que uma ou duas dessas canções sendo incluídas num show cheio de energia como os que fez recentemente no Brasil. São regravações de músicas que Paul ouvia na juventude. Ideia semelhante a do disco "Run Devil Run", de 1999, com covers de rocks dos anos 50 e três composições inéditas, mas na mesma linha.

Nos intervalos entre um show e outro da turnê "On the Run", que passou pelo Rio de Janeiro, em maio, Paul McCartney encarou várias sessões de gravação do novo disco nos estúdios Capitol, em Los Angeles, Nova York e Londres. A produção é assinada por Tommy LiPuma e Diana Krall. A jazzista ainda cedeu sua competente banda de apoio para realizar toda a parte instrumental do disco. É a primeira vez que Paul se dedica apenas aos vocais.

Em dezembro passado, já havia sido divulgada a inspirada "My Valentine", parceria com Eric Clapton, que, ao lado de "Only Our Hearts", com Stevie Wonder, compõe a dobradinha de músicas inéditas. O resto do tracklist é formado por músicas não tão conhecidas do cancioneiro americana, mas todas consideradas por McCartney como importantes para a sua formação como músico e compositor.

Entre outras, há canções do repertório de artistas como Sam Cooke ("Home - When Shadows Falls"), Ella Fitzgerald ("It´s Only a Paper Moon") e Danny Kaye ("The Inch Worms"). Esta última, com direito a apoio de um coral infantil. Apesar do clichê, é um dos pontos altos do disco, que está longe de ser um dos mais brilhantes da carreira de Paul. Outra faixa que merece destaque é "My Very Good Friend the Milkman", que subverte a regra de outro clichê do pop, ao utilizar assovios na introdução e, mesmo assim, ser uma ótima versão.

Em vários momentos a impressão é de se estar ouvindo um disco de Julio Iglesias ou mesmo um novo volume do projeto "American Songbook", de Rod Stewart, onde ele registra pérolas da música americana, dando vazão à sua porção crooner. O disco é chato e deve agradar somente aos mais xiitas dos fãs. O grande mérito de "Kisses on the Bottom" é fazer o ouvinte imaginar Paul na juventude ouvindo todas aquelas músicas e sonhando com o artista que se tornaria.

Apaixonado

Parece que Paul está mesmo apaixonado (e quis que o mundo soubesse disso). É como se o disco fosse uma declaração de amor à nova e terceira esposa, a milionária americana Nancy Shevell, com quem se casou em outubro do ano passado. Nem todas as faixas falam claramente de amor, mas a forma como Paul as interpreta deixa esse sentimento transparecer a cada acorde.

Na capa do disco, Paul aparece com cara de bobo, usando um blazer e segurando um buquê de flores campestres. Isso deixou boa parte dos fãs apreensivos sobre o que viria a seguir. Infelizmente, o que eles temiam aconteceu: a nova fase de Paul é de um senhor que parece ter se apaixonado pela primeira vez.

Disco

Kisses on the Bottom

Paul McCartney
Universal
2012, 14 faixas
Preço a ser definido


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