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5 de janeiro de 2012

Época, assim você me mata...

Capa da Revista Época com Michel Teló



Por Lenardo Alcântara (JazzMan!)

Todo mundo pode falar que gosto não se discute. Talvez cada um tenha o seu, mas ninguém pode negar que qualidade é amplamente discutível. Cada um pode ouvir o Michel Teló que quiser, mas é lamentável o respaldo midiático que esse tipo de música recebe. 

Tantos artistas ricos, de exímio talento do nosso país e que também fazem sucesso no exterior, raramente tem da nossa imprensa um reconhecimento e uma divulgação merecida. Muitos deles são aclamados lá fora e totalmente ignorados aqui. Alguém já viu Altay Veloso, Luciana Souza ou Hermeto Pascoal em capas da revista Época, Veja e afins? Alguém soube que, em agosto de 2011, em Buenos Aires, Hermeto recebeu um aplauso ininterrupto de 8 minutos? Não, vocês não sabem e isso não é culpa de vocês. 

Como pode a Época dizer que o ‘ai delícia se eu te pego’ “traduz o valor da cultura popular para todas as classes”? Vejam o vídeo da música e reflitam. Analisem as pessoas: playboys com patricinhas loiras, exibindo padronização e riqueza. Isso traduz o valor da nossa cultura popular? Será que eu estou maluco? Onde entra a Banda de Pífanos de Caruaru? O samba de roda do Rio? A música do recôncavo baiano? O fandango gaúcho e tantas outras manifestações que sim refletem a pluralidade da cultura brasileira.

Talvez eu esteja louco mesmo. Vai ver, quando Chico canta ‘Acalanto’, nada tenha a traduzir. Ou quando Max de Castro critica os valores da sociedade paulistana em ‘Silêncio no Brooklyn’ talvez isso não represente muita coisa. Verdade seja dita: quando Max cantou, ninguém deu atenção. Mas um ‘ai delícia assim eu te mato’, já reflete muito do que nós somos enquanto cultura: cegos! 

Como pode um país que não vê espírito em um Johnny Alf e vê Michel Teló com suas rimas óbvias e sua música de melodia chinfrim com tanta alegria e satisfação? Talvez eu esteja errado. Talvez ruim seja o Carlos Malta ou o Mauro Senise. Quem é Jovino Santos perto de Michel Teló? Por que perder meu tempo ouvindo Arrigo Barnabé e Ná Ozzetti? Não, eu ainda não estou maluco. E vale a máxima daquela antiga frase: "Cuidado com o que você ouve, pois o seu ouvido fica muito próximo do cérebro". JM



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5 comentários/comente ...:

Circus disse...

Bom texto, mas infelizmente essa é somente uma matéria comprada e é tão e somente por isso que ele o tal Teló está na capa. Os artistas citados raramente investem em Jabá e por isso não aparecem na mídia.

Anônimo disse...

Lixoló!!

Lastimável!!!

Sérgio Vianna disse...

Bobagem...

apenas uma balada para esquentar o corpo em busca de uma noite de sexo...

dança, alegria, energia sendo recarregada, ninguém fazendo mal a ninguém, apenas insinuações adolescentes...

coisa de jovem...

Agora, o jabá da revista faz parte do contexto "comercial" que qualquer parvo já conhece. Não há surpresa nem novidade nessas jogadas.

Gi disse...

Lenardo Alcântara, você foi muito feliz ao escrever essa matéria! Conseguiu traduzir bem o que está na mente dos leitores do blog e fãs da música de qualidade. Parabéns!

Laura Peixoto disse...

A Epoca deu 12 paginas. São fenômenos midiaticos. Apenas isso. O povo é senhor da razão e eu cada vez me escondo mais na minha caverna. Respeito, mas não compactuo.

 
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